linfoma de hodgkin
Helena percebeu o pequeno caroço enquanto passava hidratante no rosto, logo abaixo do lóbulo da orelha direita. No início, pensou ser um gânglio inflamado por uma gripe recente, mas as semanas viraram meses e aquela “bolinha” continuava lá: indolor, endurecida e crescendo de forma silenciosa, quase imperceptível. O que Helena não sabia — e que muitos pacientes descobrem apenas no consultório do cirurgião de cabeça e pescoço — é que ela estava diante de um adenoma pleomórfico, o tumor benigno mais comum das glândulas salivares. As glândulas salivares são verdadeiras usinas de produção de fluidos que facilitam nossa fala e digestão. Temos as glândulas maiores (parótidas, submandibulares e sublinguais) e centenas de glândulas menores espalhadas pela boca. O adenoma pleomórfico tem uma predileção especial pela parótida, aquela glândula situada à frente e abaixo da orelha. O termo “pleomórfico” vem da sua capacidade de apresentar diferentes tipos de células sob o microscópio; é um tumor “misto”, por assim dizer.
Embora o nome assuste, a palavra-chave aqui é benigno. Ele não tem a capacidade de se espalhar para outros órgãos (metástase). No entanto, o adenoma pleomórfico guarda uma particularidade: ele é um “vizinho” persistente. Se não for removido adequadamente, ele continua crescendo e, em casos raros, após muitos anos ou décadas, pode sofrer uma transformação maligna. Por isso, a conduta padrão é quase sempre a intervenção cirúrgica. O desafio anatômico e a precisão do especialista Quando recebo um paciente como a Helena, minha principal preocupação não é apenas remover o tumor, mas preservar a função da face. Isso acontece porque o nervo facial — o “maestro” que comanda os movimentos da testa, pálpebras, bochechas e boca — atravessa o interior da glândula parótida, dividindo-a em dois lobos. Imagine o nervo facial como os galhos finos de uma árvore que crescem por dentro de uma fruta.
O tumor está ali, encostado nesses galhos. A cirurgia, chamada parotidectomia, exige um refinamento técnico quase artesanal. Hoje, utilizamos tecnologias como o monitoramento intraoperatório dos nervos, que funciona como um GPS, emitindo sinais sonoros sempre que o cirurgião se aproxima de uma fibra nervosa importante. Isso traz uma segurança imensa tanto para o médico quanto para o paciente, minimizando riscos de paralisia facial. O caminho do diagnóstico Para chegar à sala de cirurgia com segurança, o percurso costuma incluir: Exames de imagem: A ressonância magnética ou a tomografia ajudam a entender a profundidade do tumor e sua relação com o nervo facial. PAAF (Punção Aspirativa por Agulha Fina): É uma biópsia simples, feita com uma agulha fina (semelhante à de uma coleta de sangue), que retira algumas células para análise. É um procedimento rápido, feito no consultório ou em clínicas de imagem, e essencial para confirmar que se trata de uma lesão benigna.
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